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A COLÔNIA SÃO PEDRO E O MUNICÍPIO DE DOM PEDRO DE ALCÂNTARA

     O município de Dom Pedro de Alcântara tem sua origem na então “Colônia São Pedro”, antigo 5º Distrito de Torres. A área emancipou-se em 28 de dezembro de 1995, através da Lei Estadual nº 10.647 aprovada pela Assembléia Legislativa.
    Mas a verdadeira história da localidade inicia bem antes, por volta do início de 1800 quando 1) a crise econômico-financeira; 2) as guerras; 3) a falta de espaço (terras) e até 4) a fome e a miséria assolavam países europeus, como a Irlanda, Alemanha e Itália; em contrapartida, 1) sobravam terras e 2) faltava mão-de-obra para ocupar o Brasil e fazê-lo desenvolver-se, além do 3) medo de invasão tanto por parte dos espanhóis, como dos próprios portugueses (a partir de 1822, após a Independência). Todos esses fatores vão contribuir para a formação de colônias agromilitares no Brasil (em especial no Sul), dentre a Colônia São Pedro, no “Cantão das Torres.”
     A data oficial da chegada dos 421 imigrantes alemães, entre católicos e protestantes, é 17 de novembro de 1826 no então “Cantão das Torres”. Mas muito antes disso a roda do destino já girava para que essa História acontecesse.
     As crises agrárias (falta de terras para cultivar e dividir entre os filhos das famílias), o crescimento acelerado da população, a eliminação dos últimos resquícios das estruturas feudais (estimulados pelas idéias revolucionárias francesas de 1789 e o ideário liberal bonapartista) e as desavenças políticas que resultavam em guerras convulsionavam a Europa. Já no final do século XVIII havia um intenso movimento migratório da Europa para o Novo Mundo.
    Por outro lado, as imensas e inexploradas “Colônias do Novo Mundo”, como o Brasil, precisavam de mão-de-obra para ocupá-las e desenvolvê-las. Especialmente no Brasil de 1808 quando a corte portuguesa para cá se mudou fugindo de Napoleão Bonaparte. Logo após a sua chegada, Dom João VI libertou a produção e o comércio das amarras impostas pelo sistema colonial e abriu os portos brasileiros às nações amigas.
     Foi a partir dessa época que iniciou-se um processo de imigração/colonização do Brasil. Dom João VI, Príncipe Regente de Brasil, Portugal e Algarves, passou a ocupar-se com o povoamento do território brasileiro, especialmente nas fronteiras e no Sul, onde havia os conflitos com os recém-emancipados países do Prata.
     Depois da Independência em 1822, o governo do Império tratou de reforçar a política de povoamento das fronteiras, criando colônias agromilitares de imigrantes alemães principalmente no Sul. Torres era fronteira de província e posição geográfica estratégica. Já havia uma fortificação por aqui (desde 1777), ampliada com o Baluarte Ipiranga.
     Para comprovar esse fluxo migratório, dados estatísticos alemães revelam que, a partir de 1824 e até 1914, 5,4 milhões de pessoas emigraram. 90 por cento deixaram a Alemanha para viver nos Estados Unidos e para o Brasil apenas 2 por cento – cerca de 93 mil pessoas, das quais os nossos bravos 421 colonos e soldados que chegaram ao “Cantão das Torres” e iriam constituir as Colônias – e depois municípios – de Dom Pedro de Alcântara e Três Forquilhas. “A quantidade de emigrantes alemães que se dirigiu para o Brasil é pequena, especialmente se comparada como a emigração para os Estados Unidos. Contudo, a importância desses imigrantes e de sua participação na formação e desenvolvimento do Sul do Brasil não pode ser ignorada”, registra o Historiador Jorge Luiz da Cunha em sua palestra “O Litoral Norte/RS e os Imigrantes alemães – A Colonização Alemã no Rio Grande do Sul”.
E acrescenta Cunha: “...deixar a terra natal, abandonar o conhecido e buscar a sobrevivência em um lugar desconhecidos – com todos os riscos e implicações de uma decisão deste tipo – exige razões suficientemente fortes...que são principalmente econômicas: é a pobreza que produz a emigração...pelo menos em massa. São os pobres que emigram e fazem isso quando sua vida tradicional se torna difícil ou impossível. Juntam, então, seus últimos recursos, vendem seus trastes e partem em busca de um lugar onde supõem encontrar melhores condições de vida.”
A vida no campo na Alemanha tornara-se difícil. O processo de industrialização iniciava e as cidades “explodiam”. Em 1820, 80 por cento da população alemã ativa se dedicava às atividades agrícolas; 50 anos depois (1870) esse percentual caiu para 49 por cento; e em 1910 chegava a apenas 18 por cento. Em 1800, Berlim e Hamburgo – as duas maiores cidades – tinham mais de 100 mil habitantes; em 1870, Berlim tinha mais de 1 milhão! A Alemanha já contava com mais de 10 cidades com mais de 100 mil habitantes.
A indústria urbana, as fábricas, a revolução industrial provocavam a separação entre a cidade e o campo, e aceleravam a proletarização da população dedicada à agricultura. O camponês se viu obrigado a reduzir ao máximo o número de bocas para alimentar quando não havia trabalho agrícola, deixando para o “mercado de trabalho” a mão de obra de seus filhos.


PLANEJAMENTO EM TORRES


     Em Torres (e no Sul do Brasil), as autoridades já planejavam povoar a região com mão-de-obra estrangeira. Um dos objetivos era fortalecer as fronteiras (e Torres era uma estratégica fronteira de província) contra possíveis invasões espanholas e até portuguesas (devido à Independência de 1822), criando colônias agromilitares (veremos isso adiante com o recrutamento de colonos e soldados). Os índios (Carijós ou Cariós e Arachãs) haviam sido praticamente dizimados (entre 1.500 e 1.700) pela escravidão, pelas doenças transmitidas pelo branco (gripe, sarampo, sífilis, doenças venéreas, etc.) ou pelo aculturamento. Os índios não tinham anticorpos para elas. Não havia escravos negros; eram poucos. Para se ter uma idéia, em 1820 Torres tinha não mais de 40 casas por toda região (calcule-se de Arroio do Sal até o rio Mampituba), o equivalente a 150/170 pessoas (contando com os 31 prisioneiros guaranis que construíam a Igreja de São Domingos).
     Como ocupar todo esse território – uma área só em Torres de 30 quilômetros de extensão à beira-mar por mais 30/40 de profundidade, até o sopé da Serra? Nesse ponto existem divergências de opiniões. Conforme o historiador e Desembargador Ruy Ruben Ruschel em seus vários trabalhos (dentre eles “Torres Origens” – edições Gazeta esgotadas) o planejamento da ocupação por imigrantes alemães na região do Litoral tem início com a chegada do 1º Presidente efetivo da Província, José Feliciano Fernandes Pinheiro. A vontade imperial já existia antes, mas a efetividade da mesma para a região de Torres ocorre quando José Feliciano atravessou o rio Mampituba, em fevereiro de 1824, e manteve conversações com seu conterrâneo paulista Ten.Cel. Francisco de Paula Soares, Comandante do Presídio das Torres (e do Baluarte Ipiranga).
     Por motivos “práticos”, segundo Ruschel, os primeiros alemães foram assentados em outros pontos, como 1º em São Leopoldo (em 1824) para aproveitar instalações já existentes de uma empresa estatal falida, a Feitoria de Linho Cânhamo. Outros em São João das Missões (em 1825). Mas em carta já em 22 de abril de 1824 (cerca de mês e meio depois de conversar com Paula Soares), José Feliciano escrevia do Ministro dos Estrangeiros para que “quando viessem colonos em superabundância, desejaria ser autorizado para plantar uma pequena Colônia no sítio chamado Das Torres. É um ponto importantíssimo, a chave propriamente da Província da parte norte; há pouco, na minha passagem por ali, recomendei ao oficial {Paula Soares] que levantasse a planta de um espaço de terreno azado para tal fundação.”
    Portanto, estava manifesta clara e oficialmente a vontade de instalar uma Colônia Alemã na região. Trata-se praticamente da data de Certidão de Registro do nascimento das Colônias.
     Conforme Ruschel, Paula Soares procurou tal espaço. Chegou à conclusão que seria o melhor colocar os imigrantes em terras devolutas que estava a descobrir nas margens do rio Mampituba, ao longo da estrada de penetração que aí construía. Essa proposta foi motivo de carta de Paula Soares ao Governador em 1º de abril de 1825, garantindo nessa região existir “infinidade de terras devolutas e que melhor e mais vantajoso para este lugar, se estabelecesse uma colônia nas vizinhanças na nova estrada para Vacaria. Ali há terras para toda a sorte de lavouras, para cana, as de barro, para mandioca as de areia, para arroz e linho as terras baixas, para algodão e mantimentos as altas. Matos, os milhares, tudo isso com navegação por aqui.”
     Na mesma carta, Paula Soares explicava que na primeira etapa da estrada vinha sendo aberta até onde o Mampituba era navegável; ali seria erguido um Quartel-paliçada [em cartas posteriores explicou chamar-se Forte da Glória] e destinado a servir de centro da Colônia. O parecer de Paula Soares foi aceito integralmente por José Feliciano, conforme ofício que enviou ao Ministério dos Estrangeiros em 22 de maio de 1825, no qual pedia autorização para acomodar os alemães da última leva recém chegada “beirando a estrada nova que se trabalha por fazer praticável entre o Presídio das Torres e os habitantes de cima da Serra, para descerem por ali os animais e mais produtos que se exportarem para a Província de Santa Catarina...”


A CHEGADA


     Em 17 de novembro de 1826, provavelmente ao cair da tarde, depois de milhares de quilômetros por mar, rio, lagoas e terra desde suas aldeias, os 421 alemães chegaram ao lugar que lhes reservaria o futuro. Seu e de seus descendentes. Gente totalmente estranha ao lugar, de pele clara, cabelos loiros, olhos azuis; vestindo roupas também estranhas, em 26 carretas de boi. Haviam chegado em São Leopoldo, no Rio dos Sinos, em quatro barcos. Depois rumaram a Porto Alegre de onde partiram em final de outubro; desceram o rio Guaíba, entraram na Lagoa do Casamento e aportaram em Capivari em 3 de novembro. Estavam mais perto de seu destino final, local que jamais sairiam.
     Em Capivari fizeram o transbordo de suas cargas e trecos em 26 carretas que haviam sido requisitadas às Vilas de Santo Antônio da Patrulha e Conceição do Arroio [Osório]. Depois de um dia de descanso, em 5 de novembro, a caravana moveu-se lentamente seguindo pelos campos em direção ao rio Tramandaí. Como ferramentas, panelas e bagagens não coubessem todas, algumas famílias ficariam para trás. Mas quilômetros depois, em Quilombo, o ten.cel. Paula Soares, que comandava pessoalmente o comboio, deixou ali sua bagagem particular e colocou tralhas nas suas próprias carretas, conseguindo mais para acomodar a todos.
     Para guiar as carretas Soares conseguiu escravos, enquanto prisioneiros que havia conseguido em Porto Alegre (em transferência para o Presídio das Torres) iam tangendo o gado levado para abastecimento da caravana. No dia 7 de novembro chegaram a Tramandaí e a travessia do rio levou de 5 a 6 dias – mais do que o tempo previsto – pois o Intendente de Conceição do Arroio não havia providenciado as canoas para a passagem de margem à margem. Vencido o rio, a caravana continuou a mover-se lentamente, ao compasso da época, seguindo pelos campos mais ou menos à altura do que é hoje a Estrada do Mar.
    Em 17 de novembro a chegada a Torres. 237 alemães protestantes acompanhados e liderados pelo pastor Carlos Leopoldo Voges e 184 católicos. Nesse ponto há uma discordância: o ten.cel. Paula Soares, em correspondência de 16 de março de 1830 ao Presidente da Província, Caetano Maria Lopes Gama, relata que haviam entrado 422 colonos alemães; já a historiografia oficial, incluindo a obra “O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul”, de Aurélio Porto (edição Martins Livreiro 1996) relata 421 imigrantes.
     Pelo acordo feito entre os alemães e o Governo Imperial no recrutamento cada imigrante colono receberia: 1) uma gleba de terra de 160 mil braças, o equivalente a quase 77 hectares, “em uma das Províncias do Sul do Brasil”, para cada família com duas ou três crianças, ou um lote maior se a família fosse mais numerosa: 2) uma casa adequada ao lote agrícola; 3) os animais e ferramentas necessários [não há detalhes]; 4) alimentos em quantidades suficientes, por um período de 18 meses; 5) abrigo para as famílias em alojamentos enquanto as casas estivessem sendo construídas; 6) isenção de impostos, obrigações militares ou civis por um período de 8 anos.
    Aos artesãos ou mestres em algum ofício ficava garantido pelo tempo que quisessem: 1) trabalho pago segundo os valores correntes no Brasil, em obras do Governo geral ou Província; 2) uma casa de moradia pelo tempo correspondente. Os que quisessem tornar-se soldados receberiam: 1) uma capitulação [nomeação] inicial de 6 anos; 2) durante esse período, uniforme, alimentação e soldo; 3) depois da “baixa”, caso não assinasse nova capitulação, ficaria cada soldado livre para tornar-se agricultor ou dedicar-se a algum ofício, recebendo todas as vantagens citadas; 4) ficava assegurada a possibilidade de ascensão na carreira militar, com os mesmos direitos dos soldados brasileiros.
     Todo imigrante receberia a partir do momento do embarque para o Brasil a cidadania brasileira e depois de 10 anos de permanência no País, cada colono ou soldado ficaria livre para retornar à Alemanha, desde que às suas próprias custas. É importante também destacar que a arregimentação dos imigrantes alemães deveria abranger dois grupos: 1) soldados, que deveriam ser transportados para o Brasil disfarçados de colono (com a obrigação de 6 anos de serviço); 2) colonos, para os quais se distribuiriam as terras e os itens acima mencionados, mas com a condição de que, em caso de guerra deveriam servir como soldados.
    A título de exemplo dessa estratégia de arregimentação de imigrante é interessante citar a missão do Major Von Schäffer que, pouco antes da Independência do Brasil, em 10 de agosto de 1822, embarcava para a Europa (chegou 3 meses depois) com instruções de angariar mercenários para a iminente e esperada “guerra contra Portugal” [devido à Independência], bem como obter a adesão dos governos da Santa Aliança para a causa brasileira (a Independência). Ou seja, uma de suas missões era realizar trabalhos para o estabelecimento de “colônias agro-militares” no território do Brasil, seguindo o modelo das implantadas com os cossacos nos montes Urais.
     Von Schäffer desenvolveu atividades entre 1824 e 1828, sendo a segunda parte da missão (buscar soldados e colonos) entre 1824-1826 em Hamburgo e 1828-1828 em Bremen. Conseguiu embarcar cerca de 4.500 imigrantes, entre soldados e colonos, em 21 expedições.
    Todas essas vantagens prometidas [e nem todas cumpridas posteriormente] contribuíram para despertar o desejo de emigrar em um grande número de miseráveis servos agrícolas, camponeses sem terra ou artesãos arruinados do Norte e Sudoeste da Alemanha [vide motivos no início do Capítulo). Os colonos e muitos dos soldados foram destinados a colônias de caráter agromilitar estrategicamente localizadas nas regiões isoladas do Rio Grande do Sul (no “Cantão das Torres” ou “Colônia das Torres) e Santa Catarina. Nos primeiros transportes de Von Schäffer foram embarcados vários apenados das casas de detenção e trabalho de Hamburgo (39 apenados, em maio de 1824) e Mecklenburgo-Schwerin (345 reclusos).
     O modo como se processou, na Europa, o recrutamento de colonos e soldados, e a sorte dos batalhões de estrangeiros, resultaram em descrédito da imigração para o Brasil, entre os opositores de Dom Pedro I e a maioria dos governantes europeus, especialmente na Alemanha. A Lei do Orçamento do Governo do Império de 1830, projetada para os anos financeiros de 1831 – 1832, aboliu em todas as províncias do Império a despesa com a colonização, terminando, assim, a primeira fase da imigração/colonização no Brasil. Interrompeu-se assim até 1851 a contratação de mercenários para o Império, até a chegada ao País da Legião Alemã com 1.770 soldados, naquele ano.


INTERESSES E DESCONFIANÇAS


     Na opinião de Ruschel, o Presidente José Feliciano e o comandante Paula Soares estavam imbuídos de boa fé “e o cuidado de ambos acertar”, já que a idéia básica era colocar os agricultores (e alguns soldados) alemães em terras férteis e produtivas e, ao mesmo tempo, torná-los intermediários entre os pecuaristas do planalto vacariano e o litoral catarinense. Ali, segundo Ruschel, os colonos não ficariam isolados, poderiam se comunicar facilmente com a sede do Presídio através da navegação fluvial e da estrada e da estrada de penetração.
     O micro-historiador e pesquisador José Krás Selau, filho de Dom Pedro de Alcântara, em seus livros “A Colônia São Pedro”, “Imigração Alemã em Torres Por Quê” (edições Gazeta esgotadas) desconfia das reais intenções de José Feliciano e, principalmente de Paula Soares [e do alferes Manoel Ferreira Porto, fundador de Torres e auxiliar do tenente coronel]. Para Selau, o objetivo de Paula Soares era colocar os colonos em suas terras, ou próximas a elas, para valorizá-las e melhor explorá-las.
     Como já referimos antes, não havia mão-de-obra na região (nem índios, nem escravos negros e a mão-de-obra dos alemães era boa). Assim, Paula Soares teria tentado se aproveitar da presença dos alemães, embora essa atitude não esteja relatada na documentação oficial (nem se poderia esperar que estivesse). Vejamos o que relata Selau: “discute-se, ainda hoje, o real motivo do assentamento dos imigrantes alemães aqui em Torres, onde parece ter havido mais interesse de terceiros do que a Colonização propriamente dita. Através de referências e documentos, notam-se fortes indícios de que muitos imigrantes foram separados, não se sabe por qual promessa, de seus núcleos originais e enviados a Torres contra sua vontade. O próprio comportamento posterior dos imigrantes prova isso, pois houve uma tentativa de êxodo, com pedidos veementes de transferências para outras bandas, como Três Forquilhas, Tramandaí. Pedidos não atendidos.”
Continua Selau: Já bem antes do pedido ao governo da Província para colonizar Torres com imigrantes alemães, trataram [Paula Soares e Manoel Ferreira Porto] de construir uma estrada que ligasse o presídio das Torres à serra do Malha Côco, passando pelo Vale do Mampituba, onde Ferreira Porto possuía vasta área de terra. Coincidentemente ali foram assentados os imigrantes alemães em 1826; fácil imaginar que alguém queria aproveitar a tão falada, conhecida mão laboriosa dos alemães, cuja produção agrícola por ser seria farta e poderia ser facilmente escoada pela estrada feita serra acima até os centros consumidores, bem como para as estâncias que já existiam em cima da Serra. Mas seria isso puro patriotismo, querendo o desenvolvimento de uma região por um dos seus mentores? Realmente é um quebra-cabeça que fica a critério de cada um e que pode ser interpretado de várias maneiras.”
     Paula Soares, por sua vez, possuía uma propriedade que se situava entre as Lagoas do Jacaré e do Morro do Forno, com engenho de cana-de-açúcar. Portanto, necessitava da matéria-prima (cana-de-açúcar) para seu engenho. Ruschel continua dando testemunhos do bom relacionamento do comandante com os alemães e provas de sua boa-vontade, o que era comprovado na correspondência oficial datadas de 3 de janeiro e 10 de junho de 1825 ao presidente da Província, relacionando ações de patriotismo, obediência e amor à Pátria. “Amor à Pátria e ser fiel a seu Comandante”, citada Paula Soares numa dessas correspondências.
     Mas Ruschel também não deixa de externar sua desconfiança ao relatar que, “como Inspetor [da Colônia] molestou-se soberbamente com os imigrantes alemães, mas nem por isso deixou de ser apreciado e admirado pela maioria deles, que o tratam carinhosamente de Franz Paul”.
    Ruschel relata a passagem por Torres do suíço Carl Seidler, a quem Paula Soares teria externado sua decepção “quanto à honestidade dos alemães.” Tal opinião, “enquanto fazia caracolar pela venta afora a fumaça de seu cigarro de papel” (relato do livro de Carl Seidler), criou no escritor, que era de origem alemã, “certa má vontade contra o comandante”, reconhece Ruschel com franqueza.
    Interpretações e desconfianças à parte, o fato é que o destino e a Natureza acabaram intervindo na situação. Conforme Selau e Ruschel o assentamento estava se dando a contento e até atendendo os interesses de ambas as partes [colonos alemães e as autoridades locais]. “Tudo parecia andar às mil maravilhas...mas eis que a Natureza resolveu se fazer presente já nos primeiros tempos e liquidar com tudo, seja o que estava certo, quanto o que estava errado”, escreve Selau. Chuva impiedosa castigou o vale do Mampituba [no final de 1826], inundando a região. Os colonos, apavorados, “juntam suas tralhas, salvam o que podem e se embrenharam nas matas rumo aos morros próximos, a Leste da Lagoa do Morro do Forno, onde se estabeleceram”, relata Selau. Trata-se de onde é a região do Jacaré, em Torres, e que “por uma terrível coincidência eram de propriedade do coronel Paula Soares [onde ele possuía um engenho de cana de açúcar]”, acrescenta Selau.
    Assim, por ironia do destino, se é que havia um interesse de Paula Soares em aproveitar a mão-de-obra dos alemães em suas terras, estava feito. A área compreende terras úteis e férteis existentes no Jacaré, numa extensão de 400 hectares.
     Passada a chuva e a enchente, os colonos negaram-se em retornar à sede do Vale do Mampituba, criando assim um impasse para Paula Soares. As demarcações de lotes para cada família ainda não haviam sido feitas e isso (mais a enchente e a tomada de posse das terras de Paula Soares) complicaram a situação. Os colonos começaram a ficar impacientes e alguns até ameaçavam voltar à São Leopoldo.
     Só em 1827 (entre fevereiro e março) é que começaram a se efetuar as demarcações, com o agrimensor oficial João José Ferreira, de Santo Antônio da Patrulha, e o também agrimensor alemão Frederico Carlos Voges (requisitado em São Leopoldo), “ajudante de corda.” 40 colonos que se revezavam a cada domingo e mais os sentenciados do Presídio das Torres faziam o duro trabalho de abrir picadas no mato e fazer as demarcações. Como é natural, surgiam reclamações quanto às terras, a distância da sede, os acessos. Banhados demais para alguns, terra baixa e sujeita a enchente para outras famílias.
     Esse clima de insatisfação gerou impasse. O próprio Paula Soares confessou que não esperava tantas pessoas. No máximo 200; veio o dobro. Sem saber (ou querer decidir), ele mandou o problema para solução em Porto Alegre, ao governo da Província. Mas sugeriu a divisão dos colonos em dois grupos e da Capital veio a solução: no Mampituba permaneceriam os católicos pela proximidade com a Capela em Torres; no Três Forquilhas ficariam os protestantes pois estavam acompanhados de um pastor – Carlos Leopoldo Voges – e de um médico – Jorge Elias Zinkgraff. Seriam acomodados nas margens férteis, mas distantes de Torres, do rio Três Forquilhas.
    Em 27 de maio de 1827, o agrimensor João José Ferreira e seu ajudante Voges demarcaram as terras às margens do Três Forquilhas. Em junho as famílias protestantes começaram a deslocar-se para lá em enormes carretas que arrendaram por 4 mil réis cada (três famílias por carreta). “Seguiram pela estrada do Campo (hoje Estrada do Mar) até a Sanga dos Cornélios e dali, através de Terra de Areia, até seu destino”, relata Ruschel. Enquanto isso, Paula Soares ia a Porto Alegre buscar instruções sobre o assentamento. Voltou e sorteou os lotes e em agosto de 1827 estavam os protestantes assentados na nova Colônia de Três Forquilhas, a primeira a se estabelecer. E parece estarem satisfeitos, pois já em dezembro de 1827 enviaram uma carta ao Governo Imperial agradecendo. Diziam os colonos protestantes (em francês): “há alguns meses que somos proprietários desta bela zona e plantamos o que queremos – frutas e hortaliças, tanto as do Brasil, quanto as da Europa”.


INSATISFAÇÕES E PRISÕES


      Pelo lado dos católicos a insatisfação continuava. Eles não queriam aceitar as terras baixas e úmidas. Em julho de 1827 (8 meses depois da chegada) um grupo foi conferir novas terras no Vale do Mampituba e voltou desanimado. Outro grupo de descontentes chegou a sugerir ser levado à colônia de Três Forquilhas (com terras melhores) e outro (cerca de 28 famílias) pleiteou ao presidente da Província “terras nos campos de Tramandaí ou em outros lugares”.
     As pretensões foram rejeitadas e novas áreas foram procuradas, dessa vez mais enxutas e um pouco mais ao Sul do Mampituba, entre as lagoas do Jacaré e do Morro do Forno, onde justamente Soares possuía seu engenho de cana-de-açúcar [vide suposições de Selau sobre o assunto]. O agrimensor alemão Voges foi ali para pesquisá-las e, em 2 de novembro de 1827 [quase 1 ano depois da chegada dos imigrantes alemães], apresentou seu relatório de que ali havia terras boas e altas, suficientes até para 400 casais, não contando as pantanosas da beira do rio.
     Havia, porém, um problema com relação a essas áreas: a inexistência de estrada de acesso. Conforme Ruschel, Soares pôs os católicos “na parede: ou aceitavam a nova proposta, ou iriam comprimir-se no Vale do Três Forquilhas, onde os melhores lotes já estavam nas mãos dos protestantes”. Uma comissão de quatro colonos católicos examinou as terras alternativas entre as lagoas e gostou. Então o agrimensor Voges começou a demarcar os terrenos. Em fevereiro de 1828 sortearam-se os primeiros lotes, enquanto se completava a demarcação de outros e era aberta uma estrada de acesso para as carretas, obra feita pelos sentenciados do Presídio das Torres. Umas 15 famílias ocuparam logo seus terrenos, construíram casas e plantaram feijão. Mas ainda havia descontentamento.
     Cerca de 20 outras famílias desistiram das terras e ameaçaram até fisicamente os que aceitaram, querendo agredi-los e queimar suas casas. Os rebeles alegavam que seriam sujeitos aos ataques dos bugres escondidos nos matos do Morro do Forno [fato que nunca ocorreu]. Eram liderados pelo francês Louis Marie Boudier, que tinha vindo avulso com os alemães, e um outro chamado Magnus.
     Selau também levanta dúvidas sobre Boudier e suas “reais intenções”. Tratava-se, segundo ele, de um aventureiro de origem duvidosa que havia se infiltrado entre os colonos alemães. E, para complicar ainda mais, Boudier fazia parte [segundo Selau] “do serviço de segurança do Inspetor Soares. Era uma espécie de polícia”. Conforme Selau, qual seria o plano? Insuflar a parte dos colonos revoltosos a se transferir para os campos de Tramandaí, deixando os que já estavam assentados (nas terras de Paula Soares, no Jacaré) trabalhando e produzindo. “É claro que estamos apenas fazendo conjecturas, mas com certeza, no futuro, a história da imigração alemã em Torres já terá elementos para um estudo mais aprofundado do assunto”, reconhece com simplicidade e humildade Selau, mal avaliando, porém, que sua própria dúvida manifesta já é o início desse estudo, abrindo brechas para novas pesquisas. A História não é estática; é dinâmica, e quanto mais se pesquisa, mais dados, dúvidas, informações, situações e reflexões aparecem.
     Ruschel nada aborda sobre isso. Diz que Soares, “convencido de que a verdadeira causa da revolta de alguns era a intenção de contemporizar para continuarem recebendo o subsídio em dinheiro que vinha da Coroa enquanto não assentados, banco energia. Prendeu o sedicioso Boudier e o remeteu para Porto Alegre com a recomendação de alistá-lo nas forças armadas.” Isso em 9 de março de 1828, tendo ido junto o agrimensor Voges. Selau afirma: “os colonos sublevados foram em comissão até a capital da Província para levar pessoalmente suas reivindicações ao governo. Chegados à capital, as coisas se precipitaram. Houve inclusive a prisão de alguns colonos que posteriormente foram soltos.”
     Ruschel confirma que os colonos foram à capital e até promoveram “balbúrdias”. Dois colonos foram presos: Matias Deutsch e Antonio de Tal (possivelmente Kreuzburg), recolhidos à “Presiganga – navio-prisão. Ao mesmo tempo o Conselho Geral (atual Assembléia Legislativa) sustou, em maio de 1828, o pagamento do subsídio aos colonos, o que passou a valer a partir de junho. Pressionados por todos esses fatos – prisões, corte de subsídios, quase 2 anos sem terem resolvido a questão das terras, insatisfações e sem produzir – em julho de 1828 os últimos colonos católicos ocuparam seus lotes. Embora os mais contrariados tenham fugido de volta para São Leopoldo.
     Paula Soares, por sua vez, já cansado – pela idade e por toda situação – também aceitou a situação, talvez, conforme Selau, “entre perder suas terras e o conceito que tinha junto aos seus superiores, não querendo cair em desgraça, optou por perder suas terras...e entregou os lotes.” Embora Selau também levante outras dúvidas: “não podemos também descartar a possibilidade de Paula Soares ter posteriormente barganhado com o governo as suas terras.”
     O fato é que estava concluído, em julho de 1828, o assentamento total dos colonos alemães católicos no “Cantão das Torres.” Iria iniciar uma nova etapa na Colônia, com as dificuldades de ordem econômica (transporte, escoamento das produções, os tipos de produtos a produzir, preços dos produtos), de aculturamento, educação, desenvolvimento, mais guerras (até na Guerra dos Farrapos os colonos alemães se envolveram) e perseguições (motivadas na II Guerra Mundial).


OS NOMES DA COLÔNIA E DO MUNICÍPIO


     Inicialmente o nome “Colônia São Pedro” (ou Cantão das Torres, ou Colônia das Torres) aplicava-se à Colônia Alemã em Torres como um todo, envolvendo protestantes e católicos. Há divergências sobre a origem. No livro “Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo” (edição EST de 2010- organização de Nilza Huyer Ely), a professora Helga Landgraff Picollo, doutora em História pela USP, na palestra “Cruzando Informações – A Colônia de São Pedro na Historiografia”, confirma que nos primórdios a Colônia de São Pedro era também conhecida como “das Torres”. A citação [Colônia São Pedro e das Torres], prossegue Picollo, está em correspondências oficiais, relatórios , tabelas estatísticas, econômicas, etc.
     Para Selau, o nome São Pedro deve-se ao Imperador Dom Pedro I que passou por Torres em 6 de dezembro de 1826, portanto 19 dias após a chegada dos colonos na região. O Imperador foi saudado por uma sala de 101 tiros de canhão do Baluarte Ipiranga, recepcionado pelos vereadores da Câmara de Santo Antônio da Patrulha [sede do município] e certamente pelo ten.cel Paula Soares, pelo Alferes Ferreira Porto [maiores autoridades de Torres à época]. Não há registros ou ao menos nada se localizou até agora se Dom Pedro teria visitado o Baluarte Ipiranga ou o assentamento.
     Provavelmente não. Estava com pressa, era um homem nervoso e agitado, e viajava desde Desterro até Rio Grande a cavalo (são cerca de 600 quilômetros). Tinha pressa e era impaciente. O fato, porém, é que os colonos fizeram um pedido ao Imperador, [talvez através de Paula Soares – não há maior pesquisa sobre isso] homenageado com o apelido de “Kaiser Peter”, de uma gleba de terra em conjunto onde seria erguida a sede comunitária dos imigrantes. O Imperador teria doado a terra (25 hectares).
     Assim, na opinião de Selau, o nome tem origem numa homenagem dos colonos a Dom Pedro I, passando a colônia a denominar-se “Colônia Dom Pedro de Alcântara ou São Pedro de Alcântara”. Até porque questiona se os colonos alemães conheceriam e seriam devotos de um santo espanhol. “...eram pessoas simples, talvez quase analfabetos...Será que eles tinham conhecimento de um tão afamado São Pedro de Alcântara, do distante país?”. Ele reconhece, porém, que pode ser também homenagem a São Pedro, padroeiro da Província do Rio Grande do Sul, “e uma vez que a crença religiosa dos imigrantes era muito grande. No nome dos nossos Imperadores também figurava o nome de São Pedro de Alcântara.”
     Ruschel, porém, não tem dúvida: “O nome Colônia São Pedro tem origem no santo espanhol (1499 – 1562, fundador dos franciscanos descalços)”, embora também reconheça que possa ter sido uma homenagem dos imigrantes ao Imperador.
     O pesquisador portoalegrense Emiliano J.K. Limberger concorda com as hipóteses de Ruschel e Selau em relação ao nome da Colônia ao afirmar que “a designação toponímica de São Pedro de Alcântara ostenta, naturalmente,...a noção de inovação protetora. Era costumeiro nos idos de nossa história luso-brasileira homenagear-se algum soberano ou potentado, substituindo seu nome pessoal com o do respectivo onomástico, ou seja, o correspondente padroeiro homônimo. Daí ter-se em 1828 [a data é Limberger] optado naturalmente para a denominação religiosa, homenageando simultaneamente com o topônimo hagiológico a pessoa do Imperador: São Pedro de Alcântara, lembrando o padroeiro pessoal dele e simultaneamente seu xará celeste.”
     Portanto, salvo novas pesquisas ou estudos, a origem do nome “Colônia São Pedro” está alicerçada tanto nas homenagens ao Santo, como ao Imperador Pedro I.
Mas, se em relação ao nome da colônia há dúvidas, quanto à denominação do município não existe nenhuma. Dom Pedro de Alcântara é uma homenagem Pedro I, Imperador do Brasil.


O MUNICÍPIO, 170 ANOS DEPOIS


     Nas décadas de 1980/90, o Rio Grande do Sul vivia um período de muitas emancipações. Uma verdadeira febre de áreas se emancipando, aproveitando a legislação que remetia os casos à esfera estadual (atualmente, de acordo com a Legislação, as emancipações acham-se no âmbito federal). O Litoral acompanhou o momento e várias áreas de emanciparam, como Capão da Canoa (de Osório), Três Cachoeiras e Arroio do Sal (de Torres, em 1988), Morrinhos do Sul e Três Forquilhas (de Torres, em 1992).
     A Colônia São Pedro, 5º Distrito de Torres, aproveitou também o período emancipacionista, e seguindo o exemplo de sua coirmã Três Forquilhas (que se emancipou em 1992), começou a trabalhar pela separação de Torres. Quase 170 anos depois que os imigrantes alemães aqui chegaram, seus descendentes, agora irmanados com outras etnias e moradores, arregaçaram as mãos pela emancipação.
     Como determinava a Legislação, foi constituída uma “Comissão Emancipacionista” responsável pela tramitação burocrática do processo. A Comissão tinha na presidência Guilherme Cléo Biasi (que posteriormente seria eleito o 1º prefeito do município de Dom Pedro de Alcântara); Vice-presidente: Jovino Alzemiro Vieira (também seria eleito prefeito); Secretário: José Krás Selau; 2º Secretário: José Amador Justo; Tesoureiro: Olavo Oliveira Paulo; 2º Tesoureiro: padre Roberto Pezzi. Conselho Fiscal: Adilson Maia Dimer (eleito vice-prefeito no 1º pleito e prefeito do município com o falecimento de Guilherme Cléo Biasi); Marton Luiz da Rocha Bernst, Pedro Delai Maia Leffa. Os Suplentes eram: Ireno José Fernandes, Sebastião Rodrigues de Oliveira, Orlando Model Justo, José Ailson Evaldt Hendler, Paulo Justo Borges e João Antônio Behenck.
     Em 22 de Outubro de 1995, de acordo com a Legislação, houve um plebiscito onde a comunidade decidiu se queria ou não a emancipação. O resultado foi favorável e, a partir daí, reunida toda documentação necessária para ser enviada à Comissão de Assuntos Municipalistas da Assembléia Legislativa que tratava das emancipações. Em 28 de Dezembro de 1995 o processo emancipacionista foi aprovado pela Assembléia Legislativa, sendo a Lei homologada pelo Governo do Estado.
    Estava oficialmente constituído o município de Dom Pedro de Alcântara, quase 170 anos depois da chegada os imigrantes alemães.


ADMINISTRAÇÕES


     A primeira administração do município, entre 1º de janeiro de 1997 a 1999 coube a Guilherme Cléo Biasi; ele afastou-se nesse ano por motivo de doença, vindo a falecer. Assumiu em seu lugar o vice-prefeito Adilson Maia Dimer até completar o mandato em 31 de dezembro de 2000.
     A Câmara Municipal era constituída pelos seguintes vereadores: Abraão Hahn Leffa; Celírio Justo Schwanck; Celso Pedro Magnus; Eusébio Hahn Rodrigues; Mário João Bock; Orlando Model Evaldt; Telmo Pedro Dimer; Valdemar Borges Evaldt e Vanderlei Krás Lumertz.
    A segunda administração, de 2001 a 2004, teve como prefeito Jovino Alzemiro Vieira. A terceira administração, de 2005 a 2008, o prefeito eleito Márcio Dimer Biasi. A quarta administração, de 2009 a 2012, Telmo Pedro Dimer. E a quinta administração, atualmente em curso, Márcio Dimer Biasi.

 

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Texto elaborado pelo Jornalista Diplomado e Pesquisador Nelson Adams Filho com base nas seguintes Fontes: Professor, Desembargador Ruy Ruben Ruschel – “Torres Origens” (edições Gazeta 1995, 2001, 2003 e 2005 esgotadas); Micro-historiador José Krás Selau – “A Colônia São Pedro – A Sua História”, 1995 e 2005 e “Imigração Alemã em Torres – Por Quê?” – edição Gazeta 1999; Jorge Luiz da Cunha – “O Litoral Norte/RS e os Imigrantes Alemães – A Colonização Alemã no RS”, no evento Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo/2007; Professora Helga Landgraff Piccolo – “Cruzando Informações – A Colônia de São Pedro na Historiografia” - evento Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo/2007; Aurélio Porto – “O Trabalho Alemão no Rio Grande do Sul” (Martins Livreiro, 1996); Professor Adilson Maia Dimer – evento Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo/2007; Historiadora Nilza Huyer Ely – “A Colonização Alemã da Ponta das Torres” – evento Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo/2007 – Diversas Colunas do jornal Gazeta sobre Colônia São Pedro e Dom Pedro de Alcântara – 1992 - 2004

 

A CAPELINHA E A GRUTA DE NOSSA SENHORA DE LOURDES

 

     Dois locais históricos e turísticos do município de Dom Pedro de Alcântara são a Capelinha erguida por José Webber, em pagamento de promessa, e a Gruta em louvor a Nossa Senhora de Lourdes, incrustada junto ao morro. Feitas pelo homem, a capela tem entre 150 a 160 anos, e a Gruta com as imagens 64 anos, embora o local esculpido pela Natureza exista há milhões de anos.
     A capela foi erguida pelo imigrante José Webber em pagamento a uma promessa. Oleiro de profissão, Webber morava na Alemanha em plena era napoleônica, período em que quase toda Europa vivia em conflitos. A Alemanha estava mergulhada também em guerras.
     Certo dia José Webber viu-se perseguido pela polícia, indo refugiar-se num grande armazém de cargas e descargas. “Deve ter aprontado alguma, para ser perseguido”, comenta José Krás Selau (SELAU, 1995 e 2005) em seu livro “Colônia São Pedro, Um Pouco de Sua História”.
     Conforme o relato de Selau, dentro do armazém, Webber enfiou-se debaixo de uma grande pilha de couros secos de boi, com intuito de esconder-se da polícia, que vasculhou todo o local e nada encontrou. Os policiais concluíram, então, que José Webber só poderia estar debaixo dos couros. Apavorado e vendo-se perdido, ele fez uma promessa: se se salvasse daquela, imigraria com a família para outras terras e, onde se radicasse, ergueria uma capela com uma imagem que seria feita por ele.
     A promessa surtiu efeito, pois o chefe da Polícia mandou suspender as buscas justamente quanto os policiais iam verificar debaixo da pilha de couros. José Webber cumpriu a promessa e imigrou para o Brasil com a família, vindo a estabelecer-se no então “Cantão das Torres”, na imigração de 1826. Em terras da então Colônia São Pedro, na “Baixada”, construiu sua olaria e, em seguida, ergueu uma pequena capela com um crucifixo, cuja imagem de barro foi feita com suas próprias mãos. O mesmo crucifixo lá se encontra até hoje, passados entre 150/160 anos (não se tem a data ao menos próxima da construção).
     No fim do século XIX, José Arásio Webber, neto de José Arásio, restaurou a pequena capela e a ampliou. Em 1930, José Arásio novamente restaurou e aumentou-a para as dimensões que permanecem até hoje. Desde sua construção, a capela foi ponto das devoções dos colonos. Mas foi na virada do século, conta o micro-historiador José Selau, que essas devoções e romarias ao local se intensificaram, principalmente em três datas distintas: 20 de janeiro, Dia de São Sebastião; 6 de agosto, Dia do Bom Jesus; 13 de dezembro, Dia de Santa Luzia.
     A mais cultuada dessas datas pelos colonos era a de São Sebastião, observada até hoje e, por esse motivo, explica Selau, a capelinha é conhecida popularmente e erroneamente como de São Sebastião. Foi José Arásio Webber quem introduziu na capelinha a imagem do Santo que é conhecido como protetor dos animais. Foi também José Arásio Webber, com objetivo de angariar recursos para conservação da capelinha, quem criou e intensificou o chamado “bazar”, ou seja, leilões, “às vezes um tanto pitorescos”, acrescenta Selau, dos objetos ofertados como promessas feitas ao Santo.
     Selau cita os exemplos: “um cidadão da Colônia que gostava muito de caçar. Certo dia viu seu cachorro ser estraçalhado por um ´coati-mundéo´. Fez promessa a São Sebastião que se o animal não morresse compraria seu peso em farinha e mandaria fazer massa de pão para o leilão”. O cachorro sarou e nove quilos de farinha transformaram-se em pães, todos em formato de cachorro, e levados à capelinha para leilão na primeira festa que aconteceu.
     Aliás, acrescenta Selau, “as promessa eram sempre assim: para uma perna destroncada [e curada] o pão tinha o formato de uma perna; para um boi doente [e salvo], o pão tinha o formato de um boi; e assim por diante.”
     Em 1927, com a criação da paróquia de Nossa Senhora do Amparo e a chegada dos padres alemães à Colônia, esse tipo de crendice e ofertório popular começou a arrefecer. Os padres, conforme Selau, “um tanto austeros, não viam com bons olhos aquelas devoções. Jamais prestigiaram as mesmas, chegando a dizer que era idolatria. A igreja matriz deveria ser mais considerada”, na opinião dos padres.
     E tanto doutrinaram que aos poucos a população deixou de freqüentar a capelinha. Mas o movimento não se restringiu apenas a esse local. Conforme Selau, “os padres não desistiram e, aos poucos, também nas casas esses cultos deixaram de ser praticados”. Ou seja, conforme o relato de Selau, deduz-se que além da capelinha, também nas casas dos colonos esse tipo de crendice e ofertório era praticado, o que não era bem visto pela Igreja, já que, de uma certa forma, desviava a atenção e a freqüência dos colonos à Igreja.
     Cerca de 12 a 15 anos depois, em 1942, com a saída dos padres alemães e a chegada dos sacerdotes italianos de Caxias do Sul, a capelinha ressurgiu. Conta Selau: “esses padres, menos austeros, passaram a prestigiar a capelinha, depois de conhecerem sua história. Porém frisaram: ´em primeiro lugar apoio total à [igreja] Matriz.” Quanto aos cultos, os padres passaram a rezar missas periodicamente na Capela e a Festa de São Sebastião também feita por eles. “Com isso os colonos ficaram muito contentes”, resume Selau.
     Atualmente a Capela é um dos pontos de atração turística e de visitação em Dom Pedro de Alcântara, especialmente em época de Romaria à Gruta de N.S. de Lourdes, pois está em terras da Paróquia. Tem sido mantido sempre conservada, limpa e em boas condições.

 


GRUTA NOSSA SENHORA DE LOURDES

 


     A Gruta tem sua origem no ano de 1947, com o projeto de José Arásio Webber de construir um santuário em suas terras. Um plano para tanto foi elaborado, sendo revisado e aprovado pela Paróquia que passou a coordenar as obras. Praticamente toda a comunidade da então Colônia São Pedro dedicou-se ao trabalho que começava por uma dificuldade de engenharia: como chegar à gruta no alto do morro?
     Os construtores à época decidiram colocar duas ripas de madeira junto ao paredão do morro e foram pregando degrau por degrau até chegar ao topo. O morro onde se localiza a gruta é da mesma formação vulcânica que deu origem às torres à beira-mar, com idade de formação entre 130 há 160 milhões de anos. A “construção” da gruta – aproveitando a cavidade natural da rocha – foi iniciada em 1948 e finalizada em 1950, ano de sua inauguração.
     Nas escadarias de acesso à gruta estão fixados os nomes das famílias e pessoas que colaboraram com a construção. As imagens de Nossa Senhora de Lourdes e de Bernadette Soubirous, a camponesa de 14 anos que avistou as aparições da Santa na França em 11 de fevereiro de 1858, foram trazidas até a gruta divididas em três partes.
     Aqui um parênteses para explicar a origem e a história das aparições. O relato sobre as aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858 na cidade de Lourdes, França. Ela apareceu para a jovem camponesa Bernadete Soubirous, de 14 anos, que foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma "dama" na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga. A "dama" também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.
     Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, por suas visões da Virgem Maria. A primeira aparição da "Senhora", relatada por Bernadette, foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.
    Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à gruta de Massabielle, ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexeram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse à mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história. Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não "era maligna". Porém, a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.4
     Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo". Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir novamente ao local, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de Fevereiro a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou na escavação. Como a notícia se espalhou, essa água foi ofertada a pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo francês vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.
      Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição". No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras. Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes". A Igreja, diante de perguntas e questionamentos de âmbito nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858.
    Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria aparecera de fato a Bernadette Soubirous". Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.
     Os Papas Bento XV, Pio XI e João XXIII visitaram o local quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.
     Em 18 de janeiro de 1862, Dom Laurence, bispo de Tarbes, deu a declaração solene: "Inspirados pela Comissão composta por sábios, doutores e experientes sacerdotes que questionaram a criança, estudaram os fatos, examinaram tudo e pesaram todas as provas. Chamamos também a ciência, e estamos convencidos de que as aparições são sobrenaturais e divinas, e que por conseqüência, o que Bernadette viu foi a Santíssima Virgem Maria. Nossas convicções são baseadas no depoimento de Bernadette, mas, sobretudo, sobre as coisas que têm acontecido, coisas que não podem ser outra coisa senão uma intervenção divina."7
     A Igreja Católica celebra uma missa em honra de Nossa Senhora de Lourdes (memória facultativa), em muitos países, em 11 de fevereiro de cada ano - o aniversário da primeira aparição. Em 1943 a história se tornou a base do filme A Canção de Bernadette. Jennifer Jones interpretou Bernadete, enquanto Linda Darnell retratou a Virgem Maria. O filme ganhou vários prêmios da Academia, incluindo um Oscar de Melhor Atriz por Jones.

 

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     O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes é uma área com várias igrejas e outras instituições construída em torno da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Este terreno é propriedade administrada pela Igreja, e tem várias funções, incluindo atividades devocionais, escritórios e alojamentos para peregrinos doentes e seus ajudantes. O Santuário inclui a Gruta, torneiras próximas que dispensam a água de Lourdes, e os escritórios do departamento médico de Lourdes, bem como várias igrejas e basílicas. Compreende uma área de 51 hectares, e inclui 22 lugares distintos de culto.8 Há seis línguas oficiais faladas no Santuário: Francês, Inglês, Italiano, Espanhol, Holandês e Alemão.

 

INAUGURAÇÃO DA GRUTA NA COLÔNIA SÃO PEDRO

 

     A Gruta na então Colônia São Pedro foi inaugurada oficialmente e propositadamente em 11 de fevereiro de 1950, dia e mês que coincidem com a primeira aparição. Presentes na grande festa realizada o prefeito de Torres, Severiano Rodrigues da Silva, e o Bispo Diocesano de Caxias do Sul, a Diocese a quem pertencia a Paróquia, Dom José Baréa, além de demais autoridades estaduais.
     Nesse dia foi realizada a primeira missa e um pequeno avião conhecido à época como “teco-teco” sobrevoou o local e um paraquedista se jogou da aeronave. Mas ele ficou preso, pendurado em cima de uma das árvores ao redor da gruta. Conta Selau: “Foi um alvoroço e uma correria entre o público. Os moradores, junto com o piloto do avião – que havia aterrissado – conseguiram remover o paraquedista da copa das árvores. Esse foi considerado por muitos como “o 2º milagre” da Gruta.”
     O primeiro aconteceu quando das obras, entre 1948 e 1949, no dia em que uma pedra rolou de cima da gruta pelas escadas que estavam sendo construídas. Embaixo havia uma criança sentada. A pedra, mesmo rolando de uma altura considerável, milagrosamente parou atrás da criança, sem atingi-la.
   Além desses dois casos, não existem outros fatos inexplicáveis ou “milagres” sobre a Gruta, ao menos relatados pela população da então Colônia ou do atual município de Dom Pedro de Alcântara.
    Durante o dia da inauguração acorreram ao local pessoas de diversas localidades, mesmo distantes de Torres e da Colônia. Para receber todos esses convidados, os moradores próximos à gruta montaram bares em suas próprias casas para vender comidas e bebidas aos que ali iam. A missa foi rezada com muita fé e devoção pelo bispo Dom José Baréa e o santuário batizado como Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.
     Em 1978, o então bispo Dom Benedito Zorzi pediu que cada paróquia fizesse uma “Romaria Vocacional” até o Santuário para rezar pelas vocações religiosas. A data estabelecida foi o último domingo de maio e naquele ano foi realizada a primeira Romaria à Gruta. Foi rezada uma missa e dada benção aos romeiros e as famílias levaram as “capelinhas” que visitam as comunidades. Surgia, assim naquele ano, a Romaria à Gruta de N.S. de Lourdes hoje uma festividade religiosa de âmbito estadual e que atrai de 10 a 15 mil pessoas a cada edição.
     Elas aproveitam para fazer pedidos à Santa ou agradecer por graças alcançadas, além de revigorar a fé e ter momentos de devoção. A festividade evolui para a “Romaria dos Motoqueiros”, em 2006, um antigo sonho do padre Roberto Pezzi, de Dom Pedro de Alcântara, realizado pelo padre à época, Severino Cracco, e pela Comissão dos Trabalhadores da Gruta. Desde então, motociclistas da região são convidados a participar da Romaria e também receber as bênçãos.
No ano seguinte, em 2007, sob a iniciativa do padre Leonir Alves, também com a Comissão, foi criada a “Cavalgada à Gruta”. No dia 17 de junho daquele ano cerca de 370 cavaleiros, vindos dos municípios do Litoral Norte e até do Sul de Santa Catarina, fizeram uma cavalgada até o local e, acompanhados por seus familiares, assistiram à Missa Crioula celebrada.

Capela São Sebastião, erguida por José Webber há 160 anos, em pagamento a uma promessa. Ao fundo a Gruta de N.S. de Lourdes.

Gruta de Nossa Senhora de Lourdes com imagem da Santa e de Bernadette Soubirous

 

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Texto e pesquisa do jornalista Nelson Adams Filho, com base nas seguintes fontes: José Krás Selau – livro Colônia São Pedro, Um Pouco de Sua História, edições 1995 e 2005 – Livro do Evento Dom Pedro de Alcântara – Marcas do Tempo, organizado por Nilza Huyer Ely, trabalho de pesquisa apresentado no evento e elaborado pela professora Deisi da Cunha Mengue, com os alunos Daniel Schwanck, Elaine Evaldt Model, Gabriela Farias Pinto, Janaina Leffa Schwanck, Keli Medeiros Model, Liziane da Luz Leffa, Patrine Justo Lumertz, Suélen Machado Justo, Tainá Behenck dos Reis, Taís Mengue Behenck, Tiago Leffa da Luz e Vanessa Justo Schwanck, da Escola Municipal Professora Luzia Rodrigues, em 2007 - site “Católicos On Line – Primeiras Aparições de N.S. de Lourdes – Lourdes, de Ruth Harris e Allen Lane/Londres 1999

 

 

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