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Os imigrantes alemães chegaram ao Litoral Norte gaúcho, ao Cantão das Torres, em 17 de novembro de 1826. Essa é a data oficial registrada na historiografia em que todas as famílias e solteiros já estavam arranchados em Torres. O correto, porém, é que eles foram chegando em grupos próximos a essa data. A partir daí, e da separação em Católicos e Protestantes (pois esses tinham entre eles um pastor e um médico e assim poderiam ficar mais longe do núcleo urbano de Torres, ainda em formação), somente em agosto de 1827 fixaram-se em Três Forquilhas (Protestantes) e em meados de 1828 em Colônia São Pedro (Católicos).

Eram trabalhadores e dedicados à agricultura. Tinham aqui terras férteis e abundantes, clima propicio à agricultura; estavam longe das guerras e livre das taxas e impostos, apesar de enfrentarem o isolamento da distância de centros maiores (Porto Alegre e Laguna/SC). Receberam os insumos prometidos pelo Império, como ferramentas, sementes, animais. Mas sofriam as dificuldades do escoamento das safras por falta de estradas ou o transtorno natural pelo transporte em carretas de boi, lanchas, pequenos barcos, etc. Esperavam o tão sonhado porto marítimo em Torres cuja implantação faria parte da infraestrutura das colônias. Foi nesse ambiente que os colonos alemães dedicaram-se à agricultura e a cultivar batata, feijão, mandioca e cana-de-açúcar, entre outras culturas que foram aprendendo aqui. A partir da cana eles iniciaram a produção de cachaça que ajudou-os a se manter e até a prosperar. Os primeiros engenhos de cana no Litoral Norte haviam sido introduzidos pelos portugueses em 1770, portanto 56 anos antes, em Santo Antônio da Patrulha, pelos irmãos Manoel e Antonio Nunes Bemfica, naturais da Freguesia de N. Srª. do Amparo de Bemfica, do Patriarcado de Lisboa, Portugal. Outro introdutor foi Domingos Fernandes Lima, em 1773, com seu engenho de cana-de-açúcar às margens da Lagoa Pingüela, na Estância da Serra (hoje Osório). Ele era natural da Ilha da Madeira e foi de lá que vieram as primeiras mudas de cana-de-açúcar trazidas ao Rio Grande do Sul. Em sua tese de Doutorado de 2006 para a PUCRS sob o título “Moendas Caladas”, a professora, historiadora e Doutora em História Vera Lúcia Maciel Barroso relata que “a difusão canavieira, ainda no século XVIII, é evidente no corredor norte-litorâneo. Na área há campos de várzeas, planas e levemente onduladas, cobertas com pastos nativos que chegam até quase ao sopé dos contrafortes da Serra Geral. A seguir, adentrando-se, depara-se com as encostas em aclives, ora suaves ou abruptas, com degraus penetrando pelo interior da serra, até atingir outras áreas, mais profundas e mais distantes. Esses terrenos foram ao longo dos anos sendo desmatados, deixando os solos erodidos e esgotados pelo uso indevido. A amenidade do clima, dada a influência termo-reguladora do mar, é amplamente favorável à cultura da cana-de-açúcar. Esse largo território do Litoral Norte pertencia ao primitivo município de Santo Antônio da Patrulha. Ou seja, essa faixa que incluía a Freguesia de Santo Antônio da Guarda Velha (depois Patrulha) mais a área de Palmares do Sul até o Presídio das Torres...” Heinrich W. Bunse, ao estudar essa região do Rio Grande do Sul, referida como uma de suas zonas produtoras de cana, concluiu que ela chegou ao século XX com a cultura primitiva preservada no processo de sua manufaturação. Ele focou sua pesquisa nos municípios de Gravataí, Santo Antônio, Osório e Torres. Para Bunse, as razões da assumida identidade canavieira não se resumem à sua condição introdutória, quando do povoamento inicial desse espaço, mas residem, também, nas suas condições ecológicas especiais. Afirma Bunse que nem todas as regiões do Estado são apropriadas para o seu cultivo, e destaca: “Nesta zona (Litoral Norte do RS) ocorre um fenômeno meteorológico que os técnicos chamam de 'inversão': a geada afeta somente os terrenos até uma altura de mais ou menos 50 metros sobre o nível do mar. Os terrenos compreendidos entre as alturas de 50 até 300 metros ficam completamente livres devido a uma camada de ar mais quente. Por isso, não encontramos canaviais na planície, nem em terrenos acima de 300 metros.” 

Em resumo, os alemães tinham terras e clima apropriado ao cultivo de cana-de-açúcar e disso tiraram proveito. E foi certamente do convívio com os açorianos que eles aprenderam o cultivo da cana e o fabrico da cachaça. O próprio Bunse chega a datar isso em 1826, mas é um exagero, pois somente em agosto de 1827 os Protestantes se instalaram em Três Forquilhas e em meados de 1828 os Católicos na Colônia São Pedro. Até construírem suas rústicas casas, implantarem suas lavouras, assimilarem a técnica do plantio e cultivo da cana, além do período normal de maturação dessa gramínea, levou um tempo mínimo de três anos ou até mais. Portanto, no mínimo as primeiras safras de cana devem ter ocorrido em 1829 e, a partir dessa data, a produção de cachaça. Vera Lúcia Maciel Barroso destaca a importância da produção canavieira para a Colônia São Pedro como forma de resistir ao isolamento e também a significância dos passageiros e tropeiros que por ali transitavam encontrarem a aguardente. Estabelecida em 1828, aColônia São Pedro encontrou na produção canavieira um esteio. Segundo Bunse, em Gravataí e algumas zonas de Santo Antônio da Patrulha dominava o fabrico da rapadura. Nas demais zonas do município patrulhense produziam-se mais o açúcar. Na região de Osório e Torres predominava quase exclusivamente a destilaria de aguardente, a cachaça – a caninha. Ao lado do engenho existia o alambique, o lambique, geralmente sob o mesmo teto do engenho, mas em nível mais baixo. E nas colônias alemãs de Três Forquilhas e Torres foram assimilados costumes luso-brasileiros, ao adotarem a economia ali já desenvolvida, como é o caso da produção canavieira. Passados 24 anos de sua chegada, os imigrantes já exportavam números expressivos de mandioca, café e algodão. Mas a arrecadação maior, em 1850, foi mesmo com a cana: 814.000 rapaduras e 91 pipas de aguardente (Três Forquilhas); 632 pipas de aguardente (São Pedro de Alcântara). O inspetor da Colônia, tenente-coronel Francisco de Paula Soares Gusmão, relata em suas Memórias, em 1844, a força e o crescimento da produção de cana-de-açúcar e de cachaça pelos alemães. Ele descreve a atuação dos alemães instalados havia 20 anos. Mas queixava-se das dificuldades de escoar a safra – e o consequente crescimento da região – pela falta de estradas e de um porto marítimo: “Somente o fabrico de aguardente da cana bastaria para elevar a Colônia a um alto grau de opulência. Esta via que até hoje seguem os colonos, moradores do Distrito de Torres para a exportação das suas aguardentes, couros e outros gêneros, diariamente se torna mais custosa pela exorbitância dos fretes das carretas, circunstância que os obriga a não exportarem as produções das suas lavouras, pois é o frete exigido, superior ao valor dos gêneros que podem trazer ao mercado.” No entanto, parece haver um exagero na contabilidade de Paula Soares transcrita no livro “O Colono Alemão”, ao informar que em 1829 a produção de cana tinha atingido na Colônia – ou seja, Três Forquilhas e Colônia São Pedro – 1.632.439 alqueires de cana de açúcar. Isso representaria um total de mais de 7.500 pipas de cachaça, algo impossível para a época. Paula Soares também extrapola em outros dados referentes à produção de milho, trigo, cevada, mandioca. Mas o da cana-de-açúcar é que chama mais atenção.  Os números fazem parte do Relatório que ele envia ao presidente da Província, parece querendo demonstrar a força e a pujança econômica da Colônia alemã. Talvez porque Paula Soares tenha sido o maior defensor e entusiasta de sua criação, a partir de 1822. De qualquer forma é estranhável que ele tenha exagerado nos números porque era um militar de carreira, zeloso de suas funções e obrigações. E o Relatório, um documento oficial. Também a Colônia de Três Forquilhas prosperou graças à produção de cachaça, rapadura e melado. Situada às margens do Rio Três Forquilhas, essa a colônia tinha a estrada da Serra pelo Vale mais favorável ao comércio com os serranos que iam à casa do colono adquirir diretamente os produtos que precisavam.  Fernandes Bastos explica: “...logo, compreenderam os colonos que a cultura mais rendosa lhes seria a cana-de-açúcar, não somente pela excelência das terras como pelo clima
da região. A ela dedicaram-se, pois, levantando também seus engenhos para fabrico de aguardente e rapaduras, produtos muito procurados pela gente da serra. [...] Trinta anos depois da fundação da colônia contavam-se ali 21 engenhos de cana e 40 de farinha.” Portanto, cerca de 20 anos depois de terem chegado ao Cantão das Torres, os colonos alemães católicos e protestantes já tinham incorporado ao hábito e à atividade econômica o preparo da cachaça, adquirido dos portugueses pioneiros introdutores da cana-de-açúcar na região. Só não tiraram maior proveito econômico da atividade devido às dificuldades de escoamento da safra, quer através de carretas de boi ou pelos rios e lagoas da região. O porto marítimo seria a grande salvação, mas não foi construído. Também os impostos aos produtores eram pesados e bem fiscalizados. Em 1822, conforme documentação da Câmara de Santo Antônio da Patrulha, uma pipa de cachaça – 500 litros – pagava 50 mil réis de impostos (atuais cerca de R$ 2.800,00, o que corresponderia a R$ 5,60 por litro). Esse valor “deveria ser afixado em local mais público da Freguesia”. Rendia tanto que em meados de 1828 a Câmara oficiou ao Inspetor-Chefe da Colônia e Comandante do Baluarte Ipiranga informando o envio de um oficial às Colônias “para cobrar os impostos de lojas, vendas e botequins sobre os produtos de aguardente e derivados”. O micro-historiador José Selau, em seu importante livro “Colônia de São Pedro”, relata que a partir de 1880, num esforço para agilizar o escoamento da safra, produtores como os Kreuzburg (atuais Krás Borges) e os Magnus, qualificados por Selau como “heróisaventureiros”, resolveram levar a cachaça diretamente a Porto Alegre. Idealizaram carretas especiais, com bitola diferenciada para enfrentar as areias mais profundas e estradas mal conservadas. Puxadas por 6 a 8 juntas de bois (de 12 a 16 animais), transportavam até 3 mil litros ou 6 pipas de cachaça. Levavam 15 dias para vencer a distância Colônia de São Pedro – Porto Alegre. Ali chegando, vendiam toda a produção. Outro hábito adquirido pelos alemães junto aos portugueses (ou quem sabe pelos alemães descoberto?!) foi a “mistura” do café preto com a cachaça. Era comum no café-da-manhã, antes de saírem para a lavoura ou mesmo nela já trabalhando, consumirem alguns goles da mistura chamada popularmente “mata-bicho”. Especialmente para aquecerem-se nas manhãs frias de inverno. Havia três tipos de “matabicho”: café com cachaça, quando a quantidade de café era maior; cachaça com café, porção em que ocorria o contrário; e ainda o “meio a meio”, ou seja igual quantidade de ambos. Nos botecos os alemães adquiriram o hábito de oferecer cachaça com ervas, como guaco, casca de canela, “mestruz” (uma espécie de arnica), agrião e até mesmo com alho. Costume que permanece até hoje não só pelos bares e restaurantes do interior gaúcho, como nos centros urbanos. O que ainda não se descobriu foi exatamente em que data a partir de 1828/29 e através de quem os alemães aprenderam o cultivo da cana e a obtenção de seus resultados, desde o recebimento da muda, plantio, depois colheita e preparo de todos os seus derivados, desde o açúcar mascavo, a garapa, a rapadura e a cachaça. 

_________________________________________ FONTES – Vera Lúcia Maciel Barroso – Moendas Caladas/2006/PUCRGS, Dissertação Doutorado em História; José Krás Selau – “Colônia São Pedro – Um Pouco de Sua História”, 1995; BUNSE, Heinrich W. A cana-de-açúcar. Correio do Povo, Porto Alegre, 12 mar. 1983. Letras & Livros, a. II, n. 79, p. 5. A terminologia da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul; Aurélio Porto livro “O Trabalho Alemão no RS”; Lézia Maria Cardoso de Figueiredo, Raízes Torres 1995 – Alguns Aspectos sobre a História do Presídio das Torres”; Ruy Ruben Ruschel, “Os Fortes de Torres”, edição EST 1999.

 

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