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Uma carta que comprova o fato

17 de Novembro de 1826 é a data oficial - e final - que marca a chegada dos 421 colonos alemães a Torres. Não se sabe ainda onde toda essa gente ficou improvisadamente arranchada naqueles dias e meses. Os colonos protestantes foram instalados em definitivo apenas em agosto de 1827, quase dez meses depois da chegada; os católicos somente em meados de 1828. Dificuldades com enchente, demarcação das terras, insatisfação com áreas destinadas foram os principais motivos desse atraso na fixação definitiva dos colonos. Assim, é de se perguntar: onde ficaram os colonos durante todo esse período (no mínimo dez meses para os protestantes e quase dois anos para os católicos)?! Por certo é que no núcleo urbano da Vila ao redor da Igreja e da Guarda e Registro é que não. O local em que estavam arranchados é importante para se saber em que condições viviam e como se deu o contato deles com o Imperador Pedro I em 5 (ou em 25) de dezembro de 1826. Uma carta revelada recentemente comprova esse contato. Ela integra o livro do historiador e pesquisador Rodrigo Trespach, de Osório. Até então, o único documento que se conhecia sobre o fato era “Memórias das Torres”, escrito pelo tenente coronel Francisco de Paula Soares, comandante do Baluarte Ipiranga e Inspetor da Colônia Alemã de Torres, em 1844. Fornece, principalmente, algumas pistas sobre essa localização. Conforme esse documento, Paula Soares afirma que a implantação do Presídio e do Baluarte Ipiranga, a partir de 1819, e a construção da Igreja São Domingos (inaugurada em outubro de 1824 e ainda por concluir algumas partes do prédio) foram de fundamental importância para fixar o núcleo de Torres e atrair mais moradores para a região, principalmente provenientes de Santa Catarina. Paula Soares relata que em 1825 arranchou no lugar chamado “Potreiro” várias famílias vindas da Província vizinha e os moradores do rio Araranguá. Esse lugar, segundo ele, ficava às margens do rio Mampituba, no lado do Rio Grande do Sul, e próximo à barra. A dita barra localizava-se a cerca de dois quilômetros da atual, em direção ao Norte. O rio Mampituba “dobrava à esquerda”, em direção ao Norte, mais ou menos em frente aos fundos da sede da SAPT, e seguia seu curso paralelo ao mar por cerca de mais dois quilômetros. Depois da fixação dos molhes, na década de 1970, criou-se ali o “braço morto”. O rio já fazia a divisa das Províncias e em seu lado Oeste abrigava, em 1820, a Sesmaria dos Rodrigues, com 3 léguas de comprimento por 1 de largura; ou seja, 18 quilômetros por 6 de largura. Nessa nesga de terra com cerca de no máximo 500 metros de largura por dois quilômetros de extensão, Paula Soares disse que “arranchou” os moradores provenientes de Araranguá e também deve ter colocado ali os colonos alemães. É uma hipótese. Ele chama o lugar de “Potreiro”. Era a área mais provável, pois junto ao núcleo urbano não havia espaço. A pintura sobre a Vila de Torres atribuída a Jean Baptiste Debret ou a Nicolás Dreys, em 1828, comprova isso com a falta de moradias. Muito menos poderia alojá-los em direção a Oeste, pois a área era um enorme charco pantanoso.

Outro fato que pesa a favor da localização do “Potreiro” junto à barra, nessa faixa de terra, foi a grande pescaria de bagres ocorrida em 1825. Tanto peixe capturado, conforme o relato de Paula Soares, que foram remetidos em diversas carretas para venda no mercado de Laguna. Ora, somente no mar e principalmente próximo à barra se pescaria tanto assim. Já dentro do rio Mampituba, cerca de quatro quilômetros rio acima, não seria possível capturar essa quantidade. Os bagres renderam azeite e o peixe, tanto seco como o salgado, todos remetidos à Laguna. Com os recursos provenientes dessa pescaria Paula Soares disse ter condições de receber condignamente o Imperador um ano depois (mantida a grafia): “As vantagens do novo Prezidio convidarão a muitas família da Província vizinha a virem estabelecerem-se nelle pricipalmen.e e os moradores do rio ariranguá aos q.es aranxei no lugar denominado Potreiro junto a barra do Rio Mompituba em 1825, onde fizerão uma grande pescaria com a qual muito fartavão efectivam.e os habitantes do lugar com Peixe fresco e azeite do mesmo, sendo o seco, ou o Salgado remetidos em Carretas para o mercado da Laguna. Não foram perdidas as remessas assima relatadas como o tempo depois o Justificou; sem Ella eu me veria bastante embaraçado p.a receber dinam.te naquelle Prezidio o Augusto fundador do Impr.o...no remarcavel e gloriozo dia 5 de Dezembro de 1826 no Baloarte do Ypiranga das Torres...” Seria, então, ou no ponto relatado por Paula Soares, o “Potreiro”, ou mais junto ao núcleo urbano, na altura do que é hoje a Praia Grande, Praia dos Molhes. O historiador Ruy Ruben Ruschel, no entanto, tem outra hipótese sobre a localização do “Potreiro”. Na coluna semanal que mantinha no jornal Gazeta, escreveu em 1997 que o local seria mais ou menos onde atualmente é o bairro Getúlio Vargas. Ou seja, entre a avenida do Riacho (avenida Saint Hilaire) e a rua Coronel Pacheco em direção ao rio. Ruschel baseia-se em escrituras antigas, inventários de terras e moradias a que teve acesso, e depoimentos de moradores. Outro documento, um mapa intitulado “Povoamento de Torres”, traçado em 1842 por Jerônimo Coelho, informa que o “Potreiro” estaria cerca de 1 quilômetro “acima” – em direção ao Sul – onde se encontra a sede do Passo de Torres. Ficaria, conforme esse mapa, na confluência do rio Mampituba com um canal, uma sanga que desaguaria na Lagoa do Violão. De qualquer forma, as duas suposições levam a uma área de terras pantanosa, um charco, de difícil trânsito e moradia. Até nos idos de 1900 era difícil, praticamente impossível, transitar por ali, quanto mais morar ou construir. Talvez Paula Soares não fosse arranchar mulheres, crianças e 420 pessoas naquele local. Fico, então, com a descrição de Paula Soares de que o Potreiro localizava-se “junto a barra do Rio Mompituba” (mais ou menos dois quilômetros ao Norte da atual) e ali ele arranchou os colonos alemães.

A CARTA

O fato é que D. Pedro I manteve contato com os colonos alemães e isso está registrado. Não se sabe, porém ainda, se em 5 ou 25 de dezembro de 1826. Vamos à análise dos fatos. Sobre o contato do imperador com os alemães, em seu livro O Lavrador e o Sapateiro (EdiPUCRS, 2013), o historiador Rodrigo Trespach apresenta a transcrição de uma carta, também inédita na historiografia brasileira, do colono alemão Valentin Knopf, escrita em 1º de dezembro de 1827. Trata-se da única carta encontrada até agora em que um imigrante alemão faz um relato a seus parentes na Alemanha sobre a colonização em Três Forquilhas, para onde a leva de colonos protestantes (luteranos e calvinistas) havia sido assentada em 1º de agosto de 1827. Valentin Knopf faz um relato pormenorizado da vida e da situação da colônia no Vale das Três Forquilhas. Em certa altura da carta, ele informa que “quando o imperador esteve de passagem por aqui, deu graciosamente a cada pai de família quatro mil réis [equivalente a cerca de R$ 220,00]”. Knopf só não revela o dia do ocorrido. A carta talvez seja o único documento conhecido e público que ateste a visita do imperador. O “por aqui” de Knopf refere-se a Torres, pois nessa data (ou 5 ou 25 de dezembro) os colonos estavam em Torres. Mas ele não especifica o dia. Contra a hipótese de o encontro ter ocorrido dia 5 de dezembro concorre o fato de D. Pedro ter permanecido apenas 6 horas em Torres. Em seu “Itinerário de Jornada”, anexado à carta que escreveu para a Imperatriz Leopoldina ao chegar a Porto Alegre, dia 7 de dezembro, D. Pedro diz que atravessou o Mampituba às 7 horas, às 8 horas chegou a Torres, lavou-se, tomou café-da-manhã e depois, às 2 ¼  seguiu para a Estância do Pacheco (em área do atual município de Arroio do Sal). Também o fato dele ter levado 1 hora para atravessar o rio Mampituba, percorrer os 3 quilômetros e ½ entre a barra antiga e o Baluarte Ipiranga. Se tivesse se encontrado com os colonos alemães arranchados no “Potreiro” e doado os 4 mil réis a cada chefe de família, certamente teria levado mais tempo. Por outro lado, existem as hipóteses dele ter “voltado” do Baluarte ao “Potreiro” ou ter recebido os chefes de Família no Baluarte. A primeira delas é improvável. Não era o estilo do Imperador. Já a segunda seria possível, mas o tempo também conspira contra, pois a higiene pessoal do Imperador e o café-da-manhã teriam lhe consumido no mínimo 2 horas, entre às 8 da manhã (horário de chegada no Baluarte) até às 10 horas. Sobrariam 4 horas e meia até o início da cavalgada (às 14 horas e ¼ ) até Arroio do Sal. Portanto, essa segunda hipótese é viável.

VAZIO HISTÓRICO

Mas existe uma terceira hipótese desse encontro do Imperador com os colonos alemães. A do dia 25 de dezembro de 1826. Dessa data e da presença do Imperador em Torres existe o relato do Visconde de São Leopoldo, que logo em seguida iria ser nomeado Ministro Plenipotenciário do Império, e que integrava a Comitiva ao Sul do Brasil. O Visconde também se dirigia a Torres naquele dia tão logo foi informado da morte da Imperatriz Leopoldina (ocorrida em 11 de dezembro) e sob ordens do Imperador para com ele retornar ao Rio de Janeiro. D. Pedro retornara de Rio Grande onde estava desde o dia 17 de dezembro. O relato do Visconde de São Leopoldo é, até agora, praticamente o único documento que existe desde 23 de dezembro – dia em que D. Pedro assistiu a um Te Deum em Porto Alegre, na Catedral - até dia 25. Conforme o documento, D. Pedro chegou uma hora depois de São Leopoldo e conversou demorada e reservadamente num canto do prédio do Baluarte Ipiranga com o Marquês de Quixeramobim. O Marquês, fiel assessor de D. Pedro, havia saído do Rio de Janeiro dia 12 de dezembro, um dia após a morte da Imperatriz, com destino a N.S. do Desterro (Florianópolis) e com a missão de encontrar D. Pedro pelo caminho, entregar-lhe cartas e repassar-lhe informações sobre a situação na Corte e no Rio de Janeiro. Encontrou-o em Torres, no Prezídio. O que conversaram demorada e reservadamente?! Pode-se deduzir. Quixeramobim trazia em seu malote oficial diversas cartas, a saber: de Domitila, a Marquesa de Santos, queixando-se a D. Pedro de que havia sido impedida – “tenha paciência, senhora Marquesa, mas aqui a senhora não pode entrar”, disse-lhe o Visconde - de entrar nos aposentos de Leopoldina poucos antes de sua morte pelo Visconde de Paranaguá (ele e a maioria do Ministério foram demitidos certamente por isso). Domitila alegava ter sido ultrajada e humilhada. Pedia vingança, o que era do seu jeito. Afinal, era dama-camarista de Leopoldina e teria direito a entrar nos aposentos, embora sua presença fosse indesejável e repulsiva, pois todos sabiam do caso amoroso entre ela e D. Pedro. Quixeramobim trazia também as cartas de José Bonifácio e do bispo D. José Caetano Coutinho reclamando sua presença urgente no Rio de Janeiro. O bispo, que já conhecia o litoral catarinense e gaúcho pois por aqui havia passado entre 1815 e 1816 em viagem pastoral, questionava o que D. Pedro estava fazendo “nesses areais”. Também uma carta de Frei Arrabida estimulando-o a ficar mais tempo no Sul e dedicando-se à guerra e à vitória, “em nome de Deus”. Arrabida era um dos que conspirava contra Domitila. Mas, acima de tudo, Quixeramobim trazia informações sobre a situação no Rio de Janeiro. A cidade era uma revolta só com a morte da Imperatriz Leopoldina. Estudantes de Direito tinham se revoltado e saído em passeata; mercenários alemães ameaçavam motim e a população tentou invadir o palacete da Marquesa, além de apedrejá-lo. Só não invadiu porque a Polícia impediu. Domitila teve que fugir e esconder-se. Havia um cheiro de anarquia no ar e os Republicanos contrários a D. Pedro aproveitaram-se do ambiente e da ausência do Imperador para lançar uma campanha difamatória e retornar à cena política. Havia ainda as suspeitas de que a Marquesa e o médico dr. Navarro, Barão de Inhomerim, em conluio, tivessem envenenado a Imperatriz ou de que sua morte sido ocasionada por uma agressão de D. Pedro dia 24 de novembro, antes da solenidade do “beija-mão” da viagem do Imperador ao Sul. A possível agressão aparece citada na carta que Leopoldina escreveu à irmã Maria Louise poucos dias antes de morrer. A carta foi ditada à sua camareira Marquesa de Aguiar: “...muito e muito tinha a dizer-vos [à irmã], mas faltam-me forças para me lembrar de tão horroroso atentado que será sem dúvida a causa da minha morte.” Tudo isso foi relatado por Quixeramobim a D. Pedro. O fato, porém, é que nitidamente ele posterga o retorno ao Rio de Janeiro. O tempo de retorno é a prova disso. Para ir do Rio de Janeiro - Desterro - Torres na vinda, D. Pedro e Comitiva levaram exatos 10 dias de navio e a cavalo; para fazer o mesmo percurso de volta a viagem demorou 21 dias. Mais que o dobro! Portanto, nitidamente ele estava “ganhando tempo” para pensar melhor e deixar a situação no Rio de Janeiro se acalmar. Embora fosse impetuoso, arrojado, acostumado a decisões rápidas e surpreendentes – típicas do caráter de sua mãe, a espanhola Carlota Joaquina -, D. Pedro também sabia “pensar, deixar a situação acomodar-se”, num comportamento igual ao do pai, D. João VI. A viagem por mar de Desterro ao Rio de Janeiro também demorou mais na volta do que na vinda. E não havia condições climáticas desfavoráveis, tipo vento contrário e forte, mar agitado, tempestade. D. Pedro estava, portanto, “ganhando tempo” e isso começa a acontecer a partir do encontro de Quixeramobim com ele em Torres. Esse é um momento histórico praticamente não registrado, nem por historiadores renomados, brasileiros ou estrangeiros, nem pelos nossos micro-historiadores. Pela primeira vez levanto aqui essa situação histórica. Não existem ou foram descobertos até agora registros desse retorno de Torres a Desterro, salvo o relatado pelo Visconde de São Leopoldo (até Torres). Existe um vazio histórico desse momento. Pode ser que, então, durante esse período de “ganhar tempo” desde 25 de dezembro o Imperador tenha se encontrado com os colonos alemães. É mais provável, na minha opinião, que isso tenha ocorrido a partir daí – 25 de dezembro – do que no dia 5 de dezembro, nas 4 horas e ½ em que esteve em Torres de passagem. As pesquisas continuam...

 

_____________________________________ FONTES: Ruy Ruben Ruschel, coluna “Potreiro” no jornal Gazeta em 31 de outubro de 1997; Rodrigo Trespach, O Lavrador e o Sapateiro, Memória, Tradição Oral e Literatura”, EdiPUCRS/2013; Memórias do Tenente Coronel Francisco Paula Soares, Revista do Arquivo Público do RS, edição março de 1924; D. Pedro I, Carta à Imperatriz Leopoldina, Itinerário de Jornada, Museu Imperial de Petrópolis/RJ/2013; D. Leopoldina, Cartas de Uma Imperatriz, Editora Estação Liberdade/SP/2014; Pesquisas da historiadora Mary Del Priori em “A Carne e o Sangue”, Editora Rocco/2014; O Detetive do Passado e sua Viagem Além-Mar, Diderô Carlos Lopes/2015

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